Marginal Tietê sentido Castelo Banco - entre City América e Casarão Anastácio

Entrada sob o acesso para a rodovia dos Bandeirantes

 

É por isto que este local, parecendo um oásis, localizado ao lado da Marginal Tietê, impressiona aos que o visitam. Encantador eu diria, este lugar ainda contempla moradores com mais de 40 anos no bairro, que em conjunto com os mais novos são cidadãos defensores, dedicados, apaixonados pela causa de cuidar bem da sua comunidade. Com apenas seis ruas, que enchem os olhos com o seu verde, suas praças e, principalmente, o seu coreto, o pequeno bairro fascina não apenas aos seus moradores, mas àqueles que aqui adentram. A beleza deste charmoso bairro, com certeza, se reafirma com os ilustres personagens, que levam o nome das ruas, como é o caso de nosso padre, que com certeza nos abençoa, Mariano Frias, missionário no Brasil durante meio século, ocupou importantes cargos mas a sua marca registrada foi o auxílio aos abandonados de rua.

 

Outro personagem importante é o Dr. Antenor Silva,  engenheiro, foi um dos construtores do Trem Blindado do Setor Norte da Revolução Constitucionalista, do qual não hesitou depois de construí-lo, em ser o seu maquinista. Foi diretor da Divisão de Garagem da Prefeitura Municipal de São Paulo, onde reorganizou todo o transporte motorizado municipal; e continuemos com outra eminente personalidade, que dá nome a mais uma de nossas ruas, o Doutor Roberto Gomes Tarlé, importante jornalista e médico do cenário nacional.

 

Também não podemos esquecer daquele que dá nome ao logradouro da entrada do nosso bairro, o Doutor José Ribeiro de Paiva, engenheiro civil e professor catedrático, que muito nos orgulha com sua participação na Revolução Constitucionalista de 1932. Mas temos ainda o General Napoleão Alencastro Guimarães, que pela sua desenvoltura acabou se tornando Senador da República e ocupando a pasta de Ministro do Trabalho de Café Filho; finalmente, a sexta e última rua tem o nome de Rudy Schaly, fidel escudeiro de Rubem Berta, durante a sua presidência na empresa de aviação Varig, prestando seus serviços por longos 40 anos. É isto ai, Varig, vôo, tudo nos leva a imaginar que este lugar aprazível, mais parece o paraíso a que todos sonhamos habitar um dia. (prefeitura.sp.gov.br/cidade) 

 


  

CASARÃO MORRO À FRENTE: A QUEM PERTENCEU?


Antigo casarão do Anastácio, sim o coronel Anastácio de Freitas, dono da fazenda local no século XIX. E mais, este belíssimo casarão pertenceu ao Brigadeiro Tobias de Aguiar, aquele que juntamente com Diogo Antônio Feijó criou o Corpo de Guardas Municipais Permanente, atual polícia militar paulista, o primeiro como governador da província e o segundo como ministro da justiça. A música da polícia paulista conta e encanta. Sentido frente! Ordinário marcha! Feijó conclama e Tobias manda... E só para rematar, a Marquesa de Santos que na língua dos maus historiadores aprende-se ter sido ela amante de D. Pedro I, enquanto esposa de Tobias. Na verdade, somente alguns anos após seu romance com o monarca do Brasil veio a casar-se com Tobias, onde inclusive puderam conceber vários filhos;  e não poderia deixar de contar dois fatos honrosos que marcaram essa história: o primeiro porque esta senhora foi à presença de D. Pedro II para suplicar-lhe ficar junto ao seu querido companheiro Tobias, que na masmorra padeceu, por ter, juntamente com o Padre Feijó participado da Revolução Liberal de 1842, o  que teria muito impressionado nosso último monarca; o segundo porque um de seus filhos se formou na primeira turma de Direito da Faculdade do Largo São Francisco.

 

Marcelo Gomes Manoel, ex-morador do local 

 



HISTÓRIA DE QUEM VIVEU

 

Na década de 70 fui morar no Fiat Lux, em São Paulo; bairro pitoresco, com praça, coreto, quadra e muito verde, junto a Avenida Marginal Tietê onde sua entrada é sob o viaduto da Rodovia dos Bandeirantes. Milhares de carros circulam pela marginal sem perceber esta Vila. Seu nome é derivado da empresa Fiat Lux de fósforo, que se mudou para o interior, a qual cedia as casas para seus funcionários morarem. Com o passar do tempo as moradias se modernizaram, apareceram sobrados e casas mais amplas. Lá criei meus três filhos que brincavam despreocupadamente pelas ruas arborizadas e sem perigos. No morro, que ainda existe, eles deslizavam em caixas de papelão abertas e vinham sempre sujos de terra (imaginem a minha felicidade – risos), andavam de bicicleta, jogavam bola na quadra e em um campinho onde hoje existem prédios. Em junho de todos os anos, a Associação dos Amigos da Fiat Lux promovia as festas, com barracas, bingo e fogueira, onde os moradores se confraternizavam e se uniam em alegria. Muitos vizinhos antigos ainda lá moram, mas já não é a mesma coisa de antigamente, pois as festas já não existem mais e muitos se mudaram. Já ouvi falar de quem se mudou e que gostaria de voltar, porque é um pedacinho desta querida São Paulo, onde o sossego mora, mesmo rodeada de rodovias. Hoje meus filhos cresceram, mas tenho a certeza que nas suas memórias estarão guardadas para sempre com as lembranças de uma infância feliz.

 

Abraços a todos os leitores! Obrigada! 

Thereza Marangoni



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