Foi, num encontro no Pio Brasileiro, em Roma, do Abade Geral Dom Emiliano Lucchesi com Sua Eminência o Cardeal Dom Carlos Car­melo Motta, lançada a idéia de serem enviados ao Brasil os Padres Beneditinos de Valumbrosa. Aos 19 de janeiro de 1949, três valorosos sacerdotes, D. Torelo Nocioni, D. Rudesindo Chiappini e D. Pedro ígneo Morvidi, deixando a pátria distante, aportaram ao Brasil aos 3 de fevereiro do dito ano. De par em par abriram-se-lhes as portas do Mosteiro de São Bento, onde foram acolhidos fraternal e amigavelmente. Foram, poucos dias depois, designados a se­rem os primeiros a tomarem conta "in loco" da Paróquia de Pirituba. Naquela época possuía humilde Matriz dedicada a Nossa Senhora Auxiliadora, tendo ao lado pequena casa paroquial, onde apertadamente residiram os padres recém chegados da Itália. Na Vila Pereira Barreto existia, também, diminuta capela em honra de São Luiz Gonzaga, pertencente à nova Paróquia de Pirituba. A notícia auspiciosa dos Valumbrosanos pa­ra Pirituba encheu de alegria a todos os seus habitantes. Grande era a expectativa não só da parte do povo, mas também, dos Padres que neste ínterim tiveram a grata satisfação de receberem, no Mosteiro, uma comitiva de seus futu­ros paroquianos. Estava, com esta atitude, demonstrada a alegria reinante nas Vilas, em to­das casas e em todo coração. 

 

No dia da posse, 13 de fevereiro de 1949, a praça de Vila Pirituba, viu-se cercada de gente efusiva e jubilosa. Organizou-se uma procissão que levou os padres à sede da Paróquia, onde diversos oradores expressaram o contentamento do povo por ver resolvido o seu maior problema: a falta de Padres. Dom Torelo, superior, foi nomeado Vigário e Dom Rudesindo seu cooperador em Vila Pereira Barreto. Dom Pedro foi designado para Santo Amaro ,onde trabalhou poucos meses, como coo­perador. Dom Hugo Bressane de Araujo, então Bispo de Guaxupé conseguiu de Dom Torelo a ida de Dom Pedro para as plagas de Minas, onde exerceu o múnus de Vigário de São Pedro da União, Jacuy e Bom Jesus da Penha, regiões vastas e de parcos recursos. Com este passo os Valumbrosianos se dividiram. Somente quem passou por estas mesmas circunstâncias é sabedor do quanto é árduo e difícil a separação num país estranho, mas o ideal propunhador da vinda dos filhos de São João Gualberto para o Brasil, deixando a pátria distante e saudosa era e é bem nobre. 

 

Nas paróquias mineiras por onde trilharam os seguidores de São João Gualberto, ficaram para sempre marcas indeléveis de seus espíritos de abnegação e dedicação que os caracterizam notoriamente. Naquele tempo o meio de comunicação mais usado, ou melhor, mais viável de se usar nas referidas Paróquias eram a cavalgadura. Quantas vezes o padre, ora enfrentando forte aguaceiro, ora o sol causticante, saía de casa a cavalo a atender enfermos no sertão inós­pito. Seja qual for o vigário dos lugares acima referidos tinham sob a sua custódia mais de vinte capelas que deviam percorrê-las assiduamente, levando aquelas pobres almas o conforto que a religião oferece. Dom Pedro foi o primeiro a enfrentar tama­nhas dificuldades, angariando em pouco tempo a simpatia do povo. Em 1951, isto é, três anos depois, em São Pedro da União era inaugurada a nova e majestosa Matriz. Nesta ocasião fez-se um opúsculo narrando a história cívica e reli­giosa da cidade. A vinda de Dom Rodolfo Cherubini e Dom Mauro Cherubini foi em 1950. Este, juntamente com Dom Rudesindo foram enviados á diocese de Gua­xupé, permanecendo em Jacuí, onde tiveram muito trabalho na paróquia e nas capelas. Pou­co depois Dom Mauro voltou para São Paulo, enquanto Dom Rudesindo e Dom Pedro foram trans­feridos para a Paróquia de Vila Nova em Poços de Caldas, da mesma Diocese. Muitos foram os empreendimentos realizados por eles em Poços. Mister se faz salientar, pri­mordialmente, a construção de um grandioso pré­dio onde funcionou movimentado Círculo Operá­rio com cursos noturnos de alfabetização, Escola de Corte e Costura, um Dispensário para os pobres, ampliação do Grupo Escolar e o término da ampla casa paroquial. Além destes trabalhos os padres fundaram o jornalzinho "Vila Nova" que era difundido por toda a Vila e Capelas. Em 1955 Dom Pedro veio para São Paulo, ficando em Minas somente Dom Rozendo até o ano 1958. 

Nestes anos que relatamos os trabalhos fei­tos na Diocese de Guaxupé, muito mais em Piri­tuba a operosidade dos Valumbrosianos se fez notar. Como vimos Dom Torelo ficou sendo Vigá­rio de Pirituba e Dom Rodolfo cooperador em Vila Pereira Barreto. Se Pirituba possui bela Igreja e confortável casa Paroquial e Salão deve-se ao incansável Dom Torelo. Quem senão êle soube o quanto foi penoso construir estas obras? Pirituba bairro operário, lutou de parceria com seu bondoso Vi­gário na concretização de seu sonho. A orga­nização da paróquia exigiu muito esforço do novel pároco, mas em compensação foi coroado de êxitos. As Irmandades, as quais dedicou todo seu coração, ainda lembram com grande entu­siasmo a maravilhosa concentração Mariana, presidida por Dom Antônio, Bispo Auxiliar da Arquidiocese, a qual reuniu à sombra de Nossa Senhora Auxiliadora mais de quatro mil jovens. Uma obra de grande destaque, onde os Pa­dres souberam unir o apostolado religioso ao social foi a fundação do Círculo Operário, que teve na pessoa do senhor Eduardo Gomes seu digno presidente. Funcionando anexo, bem mon­tado Posto de Puericultura, Ambulatório comple­to e Gabinete Dentário. Dom Rodolfo em Vila Pereira Barreto, para melhor servir aos seus paroquianos adquiriu uma casa na rua Armando e no dia 7 de Dezembro de 1952 acompanhado pelo Vigário Superior e pelo Abade Geral tomou posse como cooperador, em meio a muita alegria do povo. A diminuta Vila de '49 se agigantara com novos loteamentos em Vila Zatt, Jardim São José e adjacências. Sua população já numerosa exige a construção de novo templo mais amplo e acessível aos fiéis. 

 

A Dom Rosendo coube a glória dos primeiros pas­sos para o arrojado empreendimento que se des­cortina num dos altos de Vila Barreto, e a majestosa Igreja dedicada a São Luiz de Gon­zaga, que teve no dia 8 de Maio de 1955 a ceri­mônia do lançamento e bênção da primeira pe­dra pelo DD. Bispo auxiliar de São Paulo, Dom António Maria Alves de Siqueira. Dom Mauro ao voltar de Minas foi nomea­do vigário da nova paróquia de Camilópolis em Santo André. Lá deixou grande amizade entre o povo e clero, mormente o Exmo. Sr. Bispo Diocesano. O pouco tempo que serviu a esta paróquia foi o bastante para organizá-la dando-lhe vida mais cristã e também construiu bela casa paroquial. Desta paróquia foi transferido para Pirituba, onde substituiu, satisfatoriamente, Dom Torello que foi para Jundiaí. Mais tarde Dom Mauro, com a vinda de Dom Rudesindo de Minas, foi nomeado vigário da Igreja de Nossa Senhora de Fátima na Vila Bonilha. Neste novo campo de apostolado dedicou-se de corpo e alma ao cuidado de seus paroquianos. Haja vista o carinho no desempenho com as associações bem como o zelo para com a casa de Deus. Depois da um ano e meio de frutuoso e laborioso apostolado Dom Mauro indo à Itália em gozo de férias, ficou em seu lugar Dom Bento Bianchi, recentemente chegado ao Brasil' em companhia do irmão Frei José. Foi durante o Paroquiato de Dom Mauro cm 1958 que o Eminentíssimo Cardeal de São Paulo em homenagem ao glorioso Fundador de Valumbrosa e como uma bênção particular ao trabalho dos Padres da mesma Ordem, elevou a Paróquia de Pirituba a Decanato com o título de "Decanato São João Gualberto" com 3 paró­quias sufragâneas: Perus, Brasilândia e Jaraguá e Dom Mauro teve a grande honra de ser o primeiro Vigário-Décano de Pirituba. 

A idéia viu a aprovação entusiástica do Abade Geral e o trabalho esforçado de Dom Torelo e Dom Rodolfo, os quais começaram a oficiar uma pequena Ca­pela dedicada a São Roque e uma Igreja á Santa Terezinha, no Bairro Agapeama, e já no primei­ro de Novembro de 1958 tiveram a satisfação de convidar o Exmo. Sr. Bispo Auxiliar Dom Paulo Rolim Loureiro para a Bênção litúrgica da Pedra Angular da futura Igreja dedicada a Nossa Senhora de Montenero, cuja imagem acompanhara com carinho os padres desde a sua vinda da Itália. Estamos em 1958, a nove anos da vinda dos primeiros padres ao Brasil, e ainda os passos são incertos; muito trabalho e empreendimentos de cada padre nos diversos lugares por onde passaram, mas a verdadeira finalidade ainda está longe: a construção de um Mosteiro desejado pelos Superiores onde realizar-se-á o lema de São Bento "Ora et labora" e acolher-se-ão voca­ções sacerdotais. Na concretização  deste ideal  concorreu  a ' "Imobiliária De Vecchi" que doou à Ordem, pa­ra este fim, em Jundiaí, um grande e belo terre­no no loteamento de Vila Progresso. Dom Torelo, pouco depois, no Capítulo Ge­ral, em Roma, foi nomeado Procurador da Or­dem e em seu lugar ficou Dom Rozendo Chiappini, Vigário de Pirituba como Superior dos Valumbrosianos no Brasil.  

Assim é Valumbrosa no Brasil: quatro pa­dres em Pirituba, oficiando quatro Igrejas - Nossa Senhora Auxiliadora, a Matriz, São Luis Gonzaga, o monumental Santuário, orgulho do esforçado povo de Vila Pereira Barreto, a Igreja de Vila Zatt, bastante ampliada e a nova Igreja de Nossa Senhora do Retiro, inaugurada aos 15 de Agosto de 1960, as quais acolhem uma popu­lação de mais de 50.000 almas, em meio a nume­rosas vilas em franco progresso, com os nomes mais variados, que deixam prever um futuro próspero, mais cristão. Agora, graças á "Imobiliária Irmãos Vieira" com a doação de mais de 5.000 metros de terra para a construção de uma casa monástica em Pirituba que poderá reunir, acolhedora, um núcleo monástico a serviço espiritual desta imen­sa zona, pode-se contemplar, neste belo lugar, nas alturas de Pirituba, uma graciosa capela, que os Filhos de São João Gualberto dedicaram a Nossa Senhora da Assunção, à imitação da Igreja de Valumbrosa na Itália. Ali, naquele alto magnífico, São João Gualberto abençoará seus filhos dedicados e derramará copiosas bênçãos a todos os devotos.

Nós, Piritubanos, somos devedores em mui­to aos Padres de Valumbrosa. Agradecemos a Deus o feliz encontro, no Colégio Pio Brasileiro em Roma, do Abade Geral Dom Emiliano Lucchesi com o Exmo. Sr. Cardeal Arcebispo de São Paulo. Aos Valumbrosianos, brasileiros porque escolheram o Brasil como nova Pátria, gratidão. (Do livro Vila Pereira Barreto 1922 / 1962). 


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