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O terreno onde está hoje a Paróquia São Domingos Sávio pertenceu  à  fazenda do Coronel Anastácio de Freitas Trancoso, membro do Governo Provisório, em 1823. Em 9 de maio de 1856 foi comprado pelo Brigadeiro Tobias de Aguiar que se casou com a Marquesa de Santos e em 1917 foi comprado em parte pela Companhia Armour do Brasil. Até o fim da década de 1940, a região do Parque São Domingos era usada como pastagem para o gado que deveria ser abatido no Frigorífico Armour. Passou depois para a Novo Mundo Investimentos Ltda, que doou o terreno com a condição de que  logo se construísse  uma igreja. Havia, para isso, um prazo limite e não podia ser uma capelinha, tinha que ser uma igreja.

 

Em 3 de fevereiro de 1957 foi colocado um cruzeiro no terreno, quando os clérigos salesianos do Instituto Pio XI já faziam “oratório festivo” com a criançada da vizinhança. O cruzeiro foi doado por Ermano Marchetti, político muito conhecido na região, e foi construído um palanque coberto onde ficou o altar. Uma procissão saiu da igreja dos Remédios e chegou, a pé, até o Parque São Domingos para a missa e inauguração do cruzeiro. Na procissão vinham Filhas de Maria, Congregados Marianos, crianças da Cruzada Eucarística e muitos outros paroquianos dos Remédios. Chovia e ventava naquele dia. Dom Paulo Rolim Loureiro, bispo auxiliar, presidiu a cerimônia e encabeçou uma coleta com a importância de dez mil na moeda então circulante. Seguindo o exemplo do bispo, oura pessoa chamada Cid Valente, ofertou ainda mais cinco mil e todo o povo contribuiu dentro de suas possibilidades.

 

Como o prazo estipulado para a confirmação da doação do terreno esta quase se esgotando (faltavam só dois anos) foi formada uma comissão de moradores para a construção da igreja. Entre outras pessoas, compunham a comissão: Luiz Piccoli, Galdino Alves, Osório Lima, João Carpi, Carlos Davi, o juiz de paz de Pirituba Sr. Leônidas, Geraldo Ratis. Sobressaíam ainda nos esforços pela construção Ana Rodel Alves, Penha Ratis e Paula Piccoli. Faziam-se leilões de prendas doadas nas casas onde os moradores se reuniam para rezar o terço. Com os leilões era conseguido algum dinheiro para a compra de material de construção. Conta-se que foi decidido pela comissão apenas o tamanho da igreja (atual salão paroquial) sem determinar onde seria a porta principal. Mesmo assim, começaram as escavações para os alicerces da igreja, garantindo a posse do terreno.

 

Inicialmente, o pensamento era de a igreja ser dedicada aos Santos Anjos, mas com a presença dos salesianos e a recente canonização de Domingos Sávio, a igreja passou a ser de São Domingos Sávio. Já em 1959, uma primeira turma de crianças estava pronta para fazer a Primeira Comunhão, mas como não havia boas condições no Parque, a festa foi feita na igreja da Lapa. Levantadas as paredes e feito o telhado, veio a surpresa: em 21 de abril de 1960 foi criada a Paróquia de São Domingos Sávio. Somente em 6 de outubro de 1961 houve a posse do primeiro pároco: Monsenhor Rafael Arcanjo Coelho que era da Arquidiocese de Mariana (MG), mas que estava em São Paulo desenvolvendo atividades relacionadas, inclusive, o atendimento aos afros-descendentes. Grande devoto do Sagrado Coração de Jesus organizou o Apostolado da Oração e difundiu a devoção das “Nove Primeiras Sextas-Feiras”. Logo foi chamado de volta para sua diocese e a Paróquia ficou sem pároco por quase três anos.

 

Eram os Cônegos Lateranenses da Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios que geralmente atendiam os moradores do Parque, principalmente os padres Domingos, Guerino e José. Em 26 de fevereiro de 1966, a paróquia foi entregue aos Religiosos de São Vicente de Paulo, congregação funda em Paris por Jean Leon  Le Prevost.  Assumiu, então a paróquia o padre Gabriel Fortier, vindo do Canadá como missionário. Aqui ele permaneceu até ser chamado para ficar à frente da Região Episcopal Oeste 1, com sede na Lapa, por ocasião da enfermidade que acometeu Dom José Thurler, bispo auxiliar. Padre Gabriel Fortier empenhou-se  em colocar em prática as decisões do Concílio Vaticano II.  Estava sempre presente em todas as reivindicações dos moradores do Parque. Participava  das  reuniões onde se discutiam as maneiras mais rápidas para se conseguir linha de ônibus,  eletricidade para as casas e ruas, recuperação das ruas que apenas tinham sido abertas nas muitas movimentações de terra e que as águas das chuvas  as  tornavam  impraticáveis.

 


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