Eu sou a Perus-Pirapora. Fui inaugurada em 1914 e sempre fui uma ferrovia muito útil. Transportei muita cal, pedra calcária, passageiros, cimento. Alimentei a primeira fábrica de cimento do Brasil por anos a fio. Pelos meus trilhos passou uma grande parte do progresso do país. As grandes obras de São Paulo, como o Viaduto do Chá, o Edifício Altino Arantes (antigo Banespa), túnel 9 de Julho e a cidade de Brasília contém o cimento que ajudei a produzir. Me aposentaram em 1983 porque disseram que estava obsoleta, que não servia mais pra nada. Passei uma barra pesada por quase duas décadas, apesar de ter sido tombada como patrimônio histórico. Não foram anos fáceis, até que um grupo de pessoas que são apaixonadas por mim começou a me cuidar, amparar, dar carinho e a devida atenção que eu mereço. Este grupo se chama IFPPC - Instituto de Ferrovias e Preservação do Patrimônio Cultural, que passou a deter, desde 2000, a posse de 15 km da ferrovia e todo o acervo de material rodante. Nos dias de hoje, começo a ressurgir para mostrar à todas as gerações que o passado é o alicerce que usamos para construir o futuro. Todos são convidados e muito bem-vindos a ajudar neste trabalho!

 

A HISTÓRIA

 

A Estrada de Ferro Perus-Pirapora surgiu num momento de grande expansão econômica do Estado de São Paulo, nos arredores da sua capital de mesmo nome, após permanecer mais de três séculos relativamente isolado do resto do pais devido a dificuldades geográficas e à distância da capital da colônia e posterior império independente. No século XIX a cultura do café, vinda do Rio de Janeiro, penetrou rumo às férteis terras e geografia favorável do interior do estado, estimulando a construção da São Paulo Railway, que em 1867 venceu o desnível de cerca de 1.000 metros entre o porto de Santos e o planalto interiorano. A partir deste momento o café e as ferrovias associaram-se, cada um favorecendo a expansão do outro, o que rapidamente cobriu o estado com uma rede de ferrovias tributárias da SPR. Estas, por sua vez, eram servidas por numerosas ferrovias pequenas que percorriam os extensos cafezais, muitas delas em bitola reduzida.

 

Além de uma rápida ocupação e urbanização do interior e do desenvolvimento da cidade de São Paulo, acultura do café gerou grandes capitais e trouxe a mão de obra qualificada de imigrantes europeus, possibilitando uma crescente industrialização a partir da década de 1870. Em 1910 um grupo de capitalistas funda a Companhia Industrial e de Estradas de Ferro Perus-Pirapora - CIEFPP, numa região com imensas jazidas de calcário próxima à capital. Desde o início a intenção era abastecer de cal os mercados do interior e da capital, embarcando-a nos trens da SPR na estação de Perus. Mas, para satisfazer as exigências governamentais de uma utilidade social direta, os construtores apresentaram um projeto de ligação com a antiga cidade de Pirapora, famoso centro religioso a cerca de 30 quilômetros de distância, às margens do importante rio Tietê.

 

Construída na bitola de 60 cm a linha-tronco partiu de Perus acompanhando o sinuoso percurso do seu afluente Juqueri, porém deteve-se próxima das melhores jazidas de calcário conhecidas à época, lançando um ramal que cruzou o Juqueri e estendeu-se rumo às pedreiras. Inicialmente este ramal levava às jazidas de Gato Preto, onde foram construídos muitos fornos de cal e o único viaduto que a ferrovia jamais teve; a cal ali produzida supria o explosivo crescimento da capital e a construção das novas cidades fundadas pela cultura do café. A pequena ferrovia era servida por apenas duas estações: Perus, pertencente à SPR, no seu quilômetro zero; e Entroncamento, onde terminava a linha tronco oficialmente reconhecida. Havia algumas paradas informais, sem nenhuma edificação, e nove postos telefônicos para controle do tráfego. Inaugurada em 1914, a linha-tronco nunca seria estendida além do entroncamento do suposto ramal, no quilômetro 16, e a totalidade das linhas (jamais determinada com exatidão devido aos numerosos pequenos ramais de acesso às cavas) esteve em cerca de 25 quilômetros.

 


SERVIÇO 

Desde 02/06/2012 os trens da Estrada de Ferro Perus-Pirapora passaram a circular em datas específicas. Esta modificação otimizará o aproveitamento das operações ferroviárias, melhorará a conservação do patrimônio da EFPP e usará melhor o esforço dos voluntários do IFPPC. Assim, serão evitadas operações com baixo comparecimento de público, mas que implicam no mesmo desgaste de material rodante, mão de obra e recursos financeiros das operações usufruídas por muita gente e que contribuem para a captação de recursos. Também sobrará mais tempo para os voluntários do IFPPC se dedicarem à conservação e restauro de veículos, via permanente, construção de instalações e outras atividades necessárias à preservação da ferrovia e implementação das condições de recepção ao público. Desta forma ainda serão facilitadas as operações fretadas e os eventos pré-agendados, mas os visitantes espontâneos não deixarão de ser atendidos em um fim de semana mensal dedicado só a eles, com melhor qualidade de atendimento. No mês de junho/2013 ainda haverá trens circulando em dois domingos, para permitir a transição ao novo sistema. A partir de julho eles circularão preferencialmente no meio do mês, e em datas coincidentes com festas tradicionais da região. 
Tel. 11 2885-2837 - peruspirapora@hotmail.com


 

AVALIAÇÃO PIRITUBA NET 

Os responsáveis por este passeio estão lutando muito para reativar esta linha, por isso todos os serviços ainda são simples, mas este é talvez o maior diferencial, principalmente para quem quer fugir da agitação da cidade. É uma ótima opção de lazer e cultura a poucos minutos de Pirituba, barato e perfeito para tirar a cabeça da loucura diária. Todos que cuidam da linha são educados e simpáticos, dão uma aula de história, cidadania e meio ambiente, pois eles também lutam pela despoluição do rio Juqueri. Ao pegar o trem no ponto ao lado do estacionamento improvisado, onde uma pessoa fica cuidando dos veículos, o passeio segue em meio a mata e dura 10 minutos, até chegar ao acampamento improvisado com café feito em fogão a lenha e almoço caipira (consulte dias e condições). A parada dura aproximadamente 40 minutos antes do trem voltar de ré pelo mesmo caminho, o que dá uma visão melhor do trajeto. O único inconveniente deste passeio é que o caminho ao sair da rodovia Anhanguera até a "estação" do trem é uma via particular da pedreira Pedrix, com muitos caminhões indo e vindo e levantando muita poeira. Fora isso, não há do que reclamar, recomendamos e faremos novamente este passeio, pois a cada viagem temos uma descoberta, além de ajudar este projeto tão importante. 


AJUDE A PRESERVAR A HISTÓRIA 

Em 2001, um grupo de moradores do bairro de Perus fundou uma ONG chamada Instituto de Ferrovias e Preservação do Patrimônio Cultural, que recebeu 15 km da Estrada de Ferro Perus Pirapora e todo o material rodante em comodato por 50 anos, com a interveniência do CONDEPHAAT, que é responsável por trazer à vida novamente a lendária E.F.P.P. Junte-se a nós! Trabalhe conosco, contribua, receba nossos informativos. Clique aqui e veja como ajudar.


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