O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), assinou nesta quarta-feira (28/12/2016) o decreto que autoriza um grupo de produtores e comerciantes a apresentar um projeto para a mudança da Ceagesp do atual terreno na Vila Leopoldina para a região de Perus, na Zona Norte da capital. O grupo Nesp, formado por 25 produtores e comerciantes, quer construir uma nova sede para o entreposto de armazéns em uma área de mais de 4 milhões de metros quadrados – a área atual tem 700 mil metros quadrados. A desativação do atual entreposto é um desejo antigo do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), que afirma que a mudança vai tirar os 14 mil veículos - boa parte caminhões- da região da Ceagesp, melhorando o trânsito e diminuindo a poluição.

 

 

O projeto do Nesp já tinha sido protocolado na prefeitura por meio de uma manifestação de interesse público (MIP).

 

Um grupo de trabalho foi formado em junho de 2015, quando Haddad firmou um termo de cooperação com a União visando a transferência do Ceagesp. A União é a responsável pelo Ceagesp. À época, o Ministério da Agricultura estimou que a licitação para definir a empresa responsável pelo novo serviço seria concluída em um ano, mas ela não chegou a sair do papel. Haddad afirma que o atual terreno receberia um projeto de urbanização envolvendo empreendimentos imobiliários, o que poderá criar 38 mil empregos, segundo o prefeito. Parte das habitações deverão ser de interesse social. A área poderia ainda abrigar instalações da USP, segundo o prefeito - a cidade universidade fica próxima, do outro lado do Rio Pinheiros. A estimativa do Nesp é que o novo entreposto receba investimentos de até R$ 5 bilhões. Já a Prefeitura estima que a construção de um bairro planejado aproveitando uma área nobre da cidade e relativamente próxima ao Centro, caso da Vila Leopoldina, compreenda investimentos de R$ 10 bilhões.

"O que dá para dizer é que o investimento em Perus será se R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões e na Vila Leopoldina o investimento só na área do Ceagesp será de R$ 10 bilhões. Estamos falando do maior investimento imobiliário que se tem notícia no Brasil", disse Haddad. Haddad afirma que o projeto é positivo não apenas do ponto de vista da população e do meio ambiente, mas dentro de um projeto maior de desenvolver os entornos dos rios de São Paulo. "Queremos olhar para o Tietê como as grandes cidades do mundo fizeram ao olhar para o seu principal rio e desenvolvê-lo adequadamente, socialmente e ambientalmente", afirmou. Haddad afirmou que o projeto da nova Vila Leopoldina tem de ser construído como todo projeto urbanístico, participativamente. "É uma área nobre, que pode ser repensada. Tem uma comunidade pobre na vizinhança, que por lei tem de ser acomodada na própria localidade", afirmou.(G1)