CULTURA EM PIRITUBA

Texto do Movimento de Cultura Pirituba/Jaraguá

 

O acesso à cultura ainda é privilégio de poucos em São Paulo. E em Pirituba/Jaraguá não é diferente. A luta por um espaço na região que ofereça oficinas gratuitas, show e demais atividades socioculturais não é recente e já se tornou uma grande conhecida dos movimentos culturais atuantes no entorno. O Movimento de Cultura Pirituba Jaraguá (MCPJ) reivindicando este espaço cultural para a comunidade, no segundo semestre de 2016, ocupa o espaço anexo a Biblioteca Municipal Brito Broca, que até então, estava abandonado a cerca de 6 anos. Segundo Guma, um dos membros do MCPJ, o processo de ocupação teve início quando estavam “cansados de esperar respostas e promessas de políticos da região. Nós, membros do movimento de cultura, resolvemos agir de forma independente para viabilizar o uso de um espaço, até então ocioso e degradado pelo abandono, para que pudéssemos utilizar como ponto fixo para realização de nossas diversas atividades culturais”.

 

Esta ação se tornou possível por meio da parceria do MCPJ com o poder público através do Sandro Coelho, até então coordenador da zona norte do Sistema Municipal de Bibliotecas e do Gil Marçal da Secretaria Municipal de Cultura, que articularam em diversas instancias a autorização do MCPJ de ocupar, movimentar e zelar pelo espaço anexo à Biblioteca Municipal Brito Broca, cabendo a estes tornarem o espaço apto a uso. Sandro Coelho, fala conosco sobre a importância desta parceria do Poder Público e Sociedade Civil organizada na busca deste espaço cultural. “Partindo do pressuposto que um equipamento público, seja em qualquer esfera (municipal, estadual ou federal), tem em sua finalidade principal atender a cidadã e o cidadão seja para qualquer necessidade que ele precise, nada mais justo do que ouvi-lo para poder melhorar os produtos e serviços que este equipamento possa oferecer. O que se busca em uma parceria entre Sociedade Civil Organizada e Poder Público, é justamente a adequação das necessidades e especificidades de cada território onde este equipamento está inserido”. Devido à degradação do espaço pelo tempo em que ficou em desuso, o MCPJ realizou mutirões de limpeza e reformas pontuais para que o espaço se tornasse utilizável. Evelyn Kazan, membra do MCPJ, comenta que “todo o trabalho realizado para conseguirmos utilizar o espaço foi feito por acreditarmos na necessidade de uma mudança imediata. Todo o recurso e mão de obra para tornar o espaço utilizável foi doada pelos próprios membros dos Coletivos integrantes do MCPJ.” Complementando a fala, Ana Paula informa que “investimos 10 mil reais com a reforma da parte elétrica e hidráulica. Os membros do movimento colocaram a mão na massa, pintamos, limpamos, lixamos, decoramos e fizemos de um espaço totalmente abandonado um verdadeiro centro cultural”.

 

Após a limpeza e reforma do espaço, o MCPJ passou a realizar suas reuniões mensais, debates, formações, oficinas e eventos no local. E Este ano já foram realizadas diversas atividades no espaço, como: em janeiro foram realizadas oficinas abertas de formação em elaboração de Projetos Culturais. A realizado o evento “Folhas da Cidade”, contemplado pelo Programa VAI I, com apresentações artísticas e exposições itinerantes de artistas locais. Em fevereiro o espaço recebeu o “Ocupa Pirituba”, que realizou formações sobre Políticas Públicas com Gil Marçal; mapeamento de território por meio de tambores africanos com José Soró e Comunidade Cultural Quilombaque; troca de ideias e exibição do longa metragem “Um Salve Doutor” de Andrio Candido; exposição de fotografias com os coletivos Buga 15 Arte em Foto e Downtown 011; graffiti com Dinas e Kadu; e exposição de pipas com Formiga e a Pipa Poética. Na ocasião o MCPJ e o Espaço Cultural contou com a visita do atual secretário de cultura, senhor André Sturm, no dia nove de Fevereiro, que se mostrou muito interessado a forma como Espaço está sendo utilizado.

 

Ainda em fevereiro foram abertas inscrições para oficinas promovidas pelos próprios integrantes do Movimento de forma totalmente voluntária. A iniciativa partiu da necessidade territorial de oferta de cursos e oficinas culturais e artísticas gratuitas abertas ao público. A ideia das oficinas é uma ótima oportunidade de ter pessoas do território circulando, adquirindo conhecimento e consequentemente entendendo melhor o que o MCPJ desenvolve no Espaço Cultural e Biblioteca Brito Broca. As oficinas oferecidas foram: Teatro, Dança, Violão, Dj, Graffiti, Reforço Escolar, Desenho, Arte Urbana, Educação Ambiental, Mestre de Cerimônias, Locução, Francês, Inglês, Espanhol, Bateria, Pipa, Capoeira, Operação de Sistema de Som, Elaboração de Projetos, Educomunicação, Fotografia, Escrita Poética, Produção Musical, Rimas e Improviso, Iniciação Musical e foram separadas por módulos de 3 meses cada, sendo que, cada oficina determina de acordo com suas especificidades o número de participantes.

 

As inscrições foram abertas no dia 7 de fevereiro e encerradas o dia 17 do mesmo mês, chegando ao número expressivo de 650 inscritos. Em Março em referência ao mês das mulheres o Movimento realizou o evento ContaMinAção, onde foi promovida uma roda de conversa a respeito das dificuldades das mulheres no dia a dia classificada como “As Mina Na Mesa”, onde se pronunciaram: Ana Paula de Oya, Suêrda Deboa, Lucia Udemezue e Mari Vieira; o evento também recebeu as as intervenções artísticas do coletivo Roda Nossa, Aryani Marciano e Tay. Todo evento foi registrado pelo coletivo Downtown 011. Vale ressaltar que todas atividades realizadas no dia foram por debatedoras, artistas e coletivos compostos por mulheres.

 

Hoje a ocupação do espaço está consolidada e conta com o apoio e aprovação dos funcionários da Biblioteca, do público da região que passou a frequentar o espaço, seja para oficinas, apresentações ou demais atividades, da prefeitura regional que sempre se dispõe a ajudar como pode e de diversas instituições locais que colaboraram com a doação de cadeiras, mesas, lousas, palco entre outros materiais utilizados diariamente no espaço. A programação está recheada de atividades que contemplam oficinas culturais as Segundas, Terças, Quartas, Quintas e Sábados e eventualmente atividades como: Shows, Palestras, Debates, Exibição de Filmes, Peças de Teatro, Ateliê aberto para artistas independentes entre outras atividades. A Biblioteca e Espaço Cultural Brito Broca é a prova viva que Poder Público e Sociedade Civil organizada podem e devem dialogar e somar forças.

 


 

NÚCLEO FUTURISTA – EXPEDIÇÃO À NASCENTE CHÁCARA INGLESA (03/05/2017) 

 

Com a presença da SOS Mata Atlântica, representada pelo coordenador do Programa Observando Rios, Gustavo Veronesi, de Reginaldo Prado da Sabesp, de Eliene e Stevan da Prefeitura Regional Pirituba/Jaraguá, de Celia Morau do Rotary, Nelson Valejo da ACSP e Ayron da Yana Molduras, juntamente com os integrantes do Núcleo Futurista do Centro Cultural Chácara Inglesa – CCCHÁI, totalizando 22 pessoas, encontraram-se no dia 03/05/2017 iniciando a reunião com a apresentação pela coordenadora Mônica Carabolante .

Em seguida foi lido o Termo de Parceria apresentado pela SOS Mata Atlântica, que devidamente aprovado por todos, foi assinado pela coordenadora em nome do Núcleo Futurista. O grupo então dirigiu-se à Nascente Chácara Inglesa onde, após a escolha criteriosa do ponto de coleta e de seu georeferenciamento, foram realizados, sob orientação e supervisão de Gustavo Veronesi, testes de Análise dos Parâmetros Físico Químicos (anexo 2), a saber:

 

Transparência da água: turbidez;

Espumas;

Lixo flutuante ou acumulado nas margens;

Cheiro;

Material sedimentável;

Peixes;

Larvas e vermes vermelhos;

Larvas e vermes transparentes ou escuros, conchas;

Coliforme;

Oxigênio dissolvido;

Demanda bioquímica de oxigênio

Potencial hidrogênio(pH);

Nitrato;

Fosfatos.

 

As amostras foram colhidas pelos futuristas, que deram todo o apoio na realização dos testes, sendo que o de Coliformes e de Demanda Bioquímica de Oxigênio demoram alguns dias para conclusão e serão lidos pela coordenadora ao longo da semana. A mochila com o kit químico nos foi entregue juntamente com manuais de uso, nos foi dada as orientações para higienização dos frascos de ensaios e a forma correta de acondicionamento do mesmo até o próximo teste que deverá ocorrer sempre entre os dias 15 e 25 de cada mês. Essa mochila será guardada no CCCHÁI. Após as análises o grupo se dispersou.


Retornando ao casarão encerramos o encontro com cinco participantes, que sugeriram um novo encontro para pensarmos ações que resultem na melhoria da qualidade da água da nascente. Concluiu-se que o foco inicial deve ser na identificação daquelas casas que despejam esgoto no local. Segundo Reginaldo-Sabesp os moradores colocam muitos obstáculos para a realização desse diagnóstico por temerem ser multados ou ainda terem que investir em obras. Por essas razões concluímos que devemos começar esse diagnóstico pela EMEI, escola infantil instalada no terreno, por ser um equipamento municipal.Também foi colocada a importância da comunicação e divulgação do trabalho do grupo em redes sociais e ainda a educação ambiental da população do entorno.