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Em frente ao terminal Pirituba


Construído na antiga Fazenda Anastácio, o CAISM “Philippe Pinel” completou no ano de 2013, 84 anos de existência e de atividades assistenciais à saúde mental junto à população. Ao longo desses anos o hospital passou por diversas transformações. Fundado no século passado, no ano de 1929 pelo Dr. Pacheco e Silva e outros, era chamado de Sanatório Pinel de caráter privado com objetivo de atender famílias com alto poder aquisitivo. Em 29/08/1944 o Governo do Estado de São Paulo adquiriu o acervo social do Sanatório Pinel que passou a se chamar Hospital Psiquiátrico Pinel. Atendia pacientes de todas as camadas sociais, principalmente os de baixa renda, tornando-se então, uma instituição de pacientes crônicos voltados ao sexo feminino.

 

Nesta mesma época já existia a Chácara Paraíso que era uma extensão do Hospital Psiquiátrico Pinel, localizada na Vila Clarice a minutos do hospital. O Pinel era formado por 06 pavilhões femininos, já a Chácara Paraíso continha 03 pavilhões, sendo 02 femininos e 01 masculino, além de promover atividades ligadas a pesca e pecuária desenvolvida pelos próprios pacientes internos. No ano de 1976 a Chácara Paraíso teve encerradas as suas atividades na área da saúde, passando o espaço físico para outra esfera da administração pública. Somente em meados de 1984 o Hospital Psiquiátrico Pinel passou a atender pacientes do sexo masculino, tornando-se assim, um hospital misto.

 

Em 1998 iniciou-se um estudo por parte da Secretaria da Administração para implementação de um novo modelo organizacional, modificando o organograma atual, para que se tornasse um complexo hospitalar. Em 16 de maio de 2008, com o decreto 53.004, o novo organograma hospitalar recebeu a aprovação do governo do Estado de São Paulo e o hospital tornou-se um Centro de Atenção Integrada em Saúde Mental (CAISM). 

 

Atualmente, o CAISM Philippe Pinel é um hospital de administração direta da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, que tem como Missão: “garantir atenção integral, humanizada e qualificada à pessoa com transtorno mental severo e promover sua inclusão social de acordo com a evolução da Política Nacional de Saúde Mental, os princípios da Reforma Psiquiátrica e do SUS”, Visão: “Ser Referência Nacional em Saúde Mental, como agente transformador e formador, integrando com qualidade e excelência, ações, serviços e sociedade” e Valores: Compromisso, Conhecimento, Ética, Inovação, Qualidade, Respeito, Responsabilidade Social, Segurança, Sustentabilidade, Transparência.

  

FOTOS

  

BIBLIOTECA 

Quando foi inaugurado, o Pinel era uma instituição particular que só abrigava mulheres, paradigma que permanece até hoje para muitas pessoas, e este prédio era um cassino usado quase exclusivamente pelos maridos das pacientes. Depois que passou a ser do Estado, o hospital foi sendo atualizado assim como seu conteúdo, preservando sua arquitetura e adaptando o espaço às suas reais necessidades. A entrada desta construção tem uma pequena sala com um “roupeiro”, mesa de centro, banco, piano e cadeiras da época, iluminados por uma porta com vitrais coloridos e um lustre pequeno. Além da arquitetura preserva, alguns objetos antigos fazem parte da decoração do local, como medidores para fazer remédios, uma máquina de escrever e uma máquina de costura, quadros com os projetos do prédio, um visor para exames de raios-x e um relógio com cartão de ponto acionado por manivela, entre outros. 

LANCHONETE  E APARELHOS DE GINÁSTICA

A lanchonete foi inaugurada em julho de 2012 como opção para funcionários e visitantes terem à disposição uma refeição rápida, preparada pelos próprios internos, a quem este trabalho serve de ocupação e tarepia. Ao lado foram instalados aparelhos de ginástica ao ar livre para uso dos pacientes. 

CAPELA

Reinaugurada em 07 de outubro de 2011, após uma restauração que manteve suas características originais. Participaram funcionários e pacientes do CAISM que lotaram o pequeno espaço construído originalmente para receber 50 pessoas. Localizada às margens da avenida Raimundo Pereira de Magalhães, mas não visível a quem passa por esta via por estar em meio a imensa vegetação, a capela traz tranqüilidade em meio a um visual relaxante.  

ANFITEATRO 

O salão que abriga o anfiteatro tem capacidade para 100 pessoas sentadas, telão, projetor e som. À esquerda fica a biblioteca, que além de mesas e cadeiras originais, mantém alguns objetos da época que são verdadeiras peças de museu. Por exemplo, uma máquina de escrever, relógio de ponto por manivela, máquina de costura usada na antiga rouparia, medidores para preparo de medicamentos, equipamento para visualização de Raios-X e quadros com as plantas originais do hospital. Relíquias, partes da história de Pirituba e da cidade de São Paulo. 


“HOSPITAL PSIQUIÁTRICO PINEL VIROU DEPÓSITO DE DEPENDENTES DE DROGAS”, ACUSA MINISTÉRIO PÚBLICO

 

“Um campo de batalha”. Frase  de funcionários do Centro de Atenção Integrada em Saúde Mental Philippe Pinel, ouvidos pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, para definir a situação da unidade, depois de passar a receber dependentes químicos, conta a Agência Brasil. O Pinel fica em Pirituba, zona norte de São Paulo, e era especializado em doenças psiquiátricas, atendendo especificamente pessoas em surto psicótico. A partir de janeiro, passou a atender dependentes de drogas encaminhados pelo Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas (Cratod). ”Ocorreu o desmonte de um serviço de excelência no tratamento de psicóticos agudos para que dependentes químicos fossem tratados de forma inadequada”, acusa o promotor Arthur Pinto Filho, da área de Saúde Pública  à Agência Brasil. “O tratamento recebido pelos dependentes químicos na unidade é deficitário. Eles foram simplesmente depositados, porque não era essa a especialidade do hospital. Essas pessoas foram levadas para lá para preencher uma estatística”, define o promotor Maurício Ribeiro Lopes, da área de habitação e urbanismo, que também participou das investigações.

 

Uma ação, protocolada ontem pelo Ministério Público de São Paulo pretende impedir que os leitos psiquiátricos do Pinel sejam usados para o tratamento de dependentes químicos. “Caso descumpra a medida, o governo paulista poderá ser multado em R$ 100 mil por dia”, alerta o promotor. Arthur Pinto avalia que “o que está sendo feito pelo governo do estado demonstra a inexistência dos 700 leitos.Houve a opção pelo pior dos rumos, que foi derrubar aquilo que funcionava para criar aquilo que não funciona.Os funcionários foram surpreendidos pela medida em janeiro, tendo em vista que não têm especialização para lidar com esse tipo de atendimento”. A promotora da área de infância e adolescência, Luciana Bergamo, ouviu depoimentos de funcionários que relataram casos de violência, inclusive física, na unidade. “De início, os pacientes dependentes químicos passaram a conviver com pacientes psicóticos, que têm manias, um comportamento próprio, e isso incomodou os dependentes. Os grupos entraram em atrito. Em seguida, a equipe também passou a ser agredida.À medida que os pacientes com transtornos psiquiátricos recebiam alta, somente eram admitidos usuários de droga. E novos problemas surgiram, segundo a investigação do Ministério Público de São Paulo.”

Os promotores denunciam na entrevista à Agência Brasil que “o consumo de drogas também se tornou frequente entre os homens, tendo em vista que se trata de um centro aberto e os pacientes podem transitar livremente. Eles tomaram uma ala do hospital e passaram a fazer uso de drogas. Os profissionais não conseguem ter acesso a essa área. Eles não sabiam como intervir. Entraram em completo desespero.” Sobre os pacientes com surto psicótico que deveriam estar sendo atendidos no  Pinel, os promotores informaram que “pelo menos parte deles está sendo levada para o Pronto-Socorro da Barra Funda”.Inquérito específico sobre essa questão deve ser aberto. A SECRETARIA DE SAÚDE DO ESTADO  respondeu às críticas, em comunicado , informando que “não houve prejuízo ao atendimento aos pacientes psiquiátricos para internação dos usuários de crack, já que cada vez menos a saúde mental exige internação, à exceção de quadros mais agudos, o que inclui crises decorrentes do uso do crack”.

 

Izilda Alves - 12 de abril de 2013  

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