PICO DO JARAGUÁ 

Rua Antonio Cardoso Nogueira, 539 (Estrada Turística do Jaraguá)

Acesso pela rodovia Anhanguera km 18

 

Marco da geografia paulistana, o Pico do Jaraguá destaca-se da Serra da Cantareira com 1.135 metros de altura. Trata-se do ponto mais alto da cidade de São Paulo, de onde é possível avistar, num dia de ar limpo, um raio de 55 quilômetros. Jaraguá em tupi significa "senhor do vale". As primeiras notícias que se tem do local é que nele estava estabelecido o português Afonso Sardinha, caçador de índios, traficante, que descobriu vestígios de ouro no ribeirão Itaí, no pico, por volta de 1580. No entanto, como os índios dominavam a região, travaram-se numerosas guerras contra os nativos da terra. A mineração, portanto, só teve início dez anos depois.

 

O historiador Afonso de Taunay nos dá uma interessante descrição das atividades do famoso Afonso Sardinha: "Grande comerciante e capitalista, grande proprietário e lavrador, minerava no Jaraguá, fabricava e exportava muita marmelada, a ponto de poder fornecer, de uma remessa, cem caixotes, e negociava grandes partidas de farinha, sal e açúcar. De Buenos Aires recebia lãs e peles remetidas pelo correspondente Antônio Rodrigues de Barros. Oito peles vendera em São Paulo por 26 cruzados: 10$000. Traficava escravos, vendendo índios moços a $3000 por cabeça, até para o Rio da Prata. De lá encomendava diversos gêneros, como rendas, papel, medicamentos, facas fabricadas na Alemanha. Como capitalista, emprestava a pessoas de São Paulo e Santos, São Vicente e Rio de Janeiro".


Vista da cidade
Vista da cidade
Visto do Rodoanel
Visto do Rodoanel

 

O ouro do Jaraguá foi explorado até o esgotamento, no século XIX. Os garimpeiros deixaram visíveis marcas de sulcos e escavações nas rochas do pico. Em 1837, o missionário norte-americano Daniel Kidder visitou o Brasil e foi convidado a fazer uma excursão ao Jaraguá. "O pico do Jaraguá", escreve ele, "é o mais alto de toda a região e está situado na extremidade sulina da Serra da Mantiqueira. Chamam-no o barômetro de São Paulo porque, quando o seu cume está límpido, é sinal de bom tempo, mas, quando está envolto em nuvens, é mau o prognóstico. Além disso é o marco dos viajantes que de qualquer ponto em que se achem por ele se orientam e calculam a distância que ainda falta para chegar a S. Paulo. O panorama que daí descortinamos era de beleza e variedade indescritíveis, e, compensou-nos cem vezes o esforço da escalada". Em 1946, a Prefeitura de São Paulo transformou o Pico do Jaraguá em ponto turístico da cidade. Em 1961, foi criado o Parque Estadual do Jaraguá, onde os visitantes podem conhecer as pias de lavagem manual do ouro ao lado das ruínas do grande casarão do próprio Afonso Sardinha. Esse parque foi tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico) em 1983. Em 1994, o Parque Estadual do Jaraguá foi tombado pelo Patrimônio da Humanidade pela Unesco, passando a integrar a Zona Núcleo do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo, Reserva da Biosfera.

 

Fonte: www.aprenda450anos.com.br

 

 

FOTOS

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Video: descendo o Pico de bike

 

 

 

Video: Sagui do tufo branco

 



Moradores do bairro do Pari em visita ao Pico em 1956 (historiasdopari.wordpress.com)
Moradores do bairro do Pari em visita ao Pico em 1956 (historiasdopari.wordpress.com)

 

A HISTÓRIA DAS ANTENAS

 

ANTENA MAIOR

A TV Bandeirantes, canal 13 (VHF) instalou a sua antena (da marca inglesa Marconi) e novos amplificadores no Pico do Jaraguá no ano de 1970, o que permitiu aos paulistas uma melhor recepção do sinal para as transmissões dos jogos da Copa do Mundo de 1970, aumentando sua capacidade para 200 km. Também, lançou um disco promocional na mesma época para anunciar a novidade aos publicitários (Fonte: Disco "O 13 não é mais aquele", Odeon: São Paulo, 1970).

 

ANTENA MENOR

Durante todo o ano de 1968 foi elaborado o projeto técnico da nova TV Cultura. A antena da Cultura mudou de localização, passando do alto do prédio do Banco do Estado de São Paulo, no centro da cidade, para o pico do Jaraguá, na zona oeste, possibilitando a captação do sinal da emissora num raio de 150 quilômetros em torno de São Paulo e foram comprados da RCA e da Marconi novos equipamentos. As transmissões experimentais começaram em 4 de abril e dois meses depois, no dia 15 de junho de 1969, um domingo, às 19h20, entrava no ar a TV Cultura, com os discursos do governador Roberto de Abreu Sodré e do presidente da Fundação Padre Anchieta, José Bonifácio Coutinho Nogueira.  Em seguida, foi exibido um clipe mostrando o surgimento da emissora, os planos para o futuro e uma descrição dos programas que passariam a ser apresentados a partir do dia seguinte.

 

 

REFORMA E PINTURA DA ANTENA PRINCIPAL 

A antena principal começou a ser reformada em junho de 2013 e ganhou um novo visual.

 

Pico do Jaraguá registra mais raios ascendentes do que a média mundial

 

Pesquisadores do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registraram no período de janeiro a outubro deste ano a ocorrência de 35 raios ascendentes no Pico do Jaraguá – o ponto culminante da cidade de São Paulo, que está a 1.135 metros acima do nível do mar. De acordo com os pesquisadores, o número é superior à média de outros lugares no mundo onde foi observada a ocorrência desse tipo de raio que, em vez de descer das nuvens de tempestade e atingir o solo – como ocorre com a maioria das descargas atmosféricas –, parte de algo na superfície e se propaga em direção à nuvem.

 

“Só no mês de outubro registramos no Pico do Jaraguá o mesmo número de raios ascendentes observados durante um ano no Empire State Building, em Nova York, que registra anualmente, em média, 22 raios ascendentes”, disse Marcelo Magalhães Fares Saba, pesquisador do Elat, à Agência FAPESP. O grupo de pesquisadores do Elat registrou em janeiro, pela primeira vez no Brasil, a ocorrência desse tipo de raio originado por estruturas altas, como torres de telecomunicação ou para-raios de edifícios altos que, em função de suas altitudes, podem concentrar em seus topos grande quantidade de carga elétrica induzida e de sinal oposto à carga da base de uma nuvem de tempestade.

 

Por meio de um sistema de detecção adquirido com apoio da FAPESP, que conta com uma câmera de alta velocidade capaz de registrar 4 mil quadros por segundo, os pesquisadores gravaram no início de 2012, durante uma tempestade, a formação de quatro raios ascendentes, partindo de uma torre de transmissão de 130 metros no Pico do Jaraguá, onde ocorrem, praticamente, três vezes mais raios do que no restante da cidade. No início de março, voltaram a registrar a ocorrência de mais três raios ascendentes, originados do mesmo ponto da primeira observação, em apenas 7 minutos – o que é considerado um número muito alto, principalmente quando considerado o curto intervalo de tempo.

 

Em julho, durante uma tempestade de inverno, registraram mais um raio ascendente, que partiu de uma das torres de telecomunicações instaladas no Pico do Jaraguá. No dia 23 de outubro, durante uma tempestade em São Paulo, os pesquisadores registraram nove raios ascendentes em um intervalo de apenas 37 minutos também no Pico do Jaraguá. A sequência de descargas elétricas em um curto intervalo de tempo provocou um princípio de incêndio em um dos equipamentos instalados no local.

 

“Essa frequência de raios ascendentes em uma mesma estrutura é muito superior à observada em outros lugares no mundo. Em Rapid City, em Dakota do Sul, nos Estados Unidos, por exemplo, onde também foram instaladas câmeras de alta velocidade para registrar a ocorrência de raios ascendentes desencadeados por dez torres de telecomunicação instaladas no local, foram registradas cinco descargas atmosféricas desse gênero nos últimos dois anos”, disse Saba. De acordo com Saba, ainda não se sabe por que o Pico do Jaraguá registra um número de raios ascendentes maior do que a média de outros lugares no mundo e o que favorece a formação desse tipo de descarga elétrica. “Algo de especial, que ainda não foi descoberto, ocorre na tempestade que favorece a ocorrência rápida e sequencial de raios para cima”, disse.

 

O grupo do Elat observou que, enquanto o impacto de um raio descendente é mais distribuído – metade das descargas toca pontos diferentes no solo –, o dos raios ascendentes acaba sendo sempre em um mesmo ponto, o de partida, que pode ser uma torre de televisão ou celular, por exemplo. E que essas descargas atmosféricas podem ocorrer em intervalos muito curtos de tempo, de um minuto ou menos. “Isso é algo extremamente preocupante para os sistemas de proteção convencionais, que foram projetados para raios descendentes”, disse Saba. 

 

Por Elton Alisson - agencia.fapesp.br

 

 

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